TERAPIA POR ONDAS DE CHOQUE

Ondas de choque: O que são?

Ondas de Choque são impulsos acústicos caracterizados por uma pressão positiva de elevada amplitude. Apesar da sua semelhança com um US, as ondas de choque apresentam características diferentes:  têm grandes amplitudes de pressão e são representadas por um único pulso positivo, seguido de uma pequena onda de tensão e necessitam de um meio para se propagarem – ar; água ou tecido biológico. Conhecemos bem este tipo de onda na natureza: na ocorrência de eventos explosivos como relâmpagos, tremores de terra ou então quando os aviões ultrapassam a barreira de som. São definidas como uma onda de pressão de grande amplitude. Portanto, são ondas acústicas, mecânicas, de curta duração. Na Terapia por Ondas de Choque (TOC) são geradas extracorporalmente, através de tecnologia própria, e propagam-se pelos tecidos biológicos, ativando os mecanismos de reparação intrínsecos do organismo.

Terapia por ondas de choque: História

Originalmente, as ondas de choque eram usadas para o tratamento de cálculos renais num processo designado litotrícia. Há mais de 20 anos, iniciou-se a sua utilização, com enorme sucesso, no tratamento de entesiopatias, na área da ortopedia. Mais recentemente, foram comprovados os seus efeitos biológicos nas áreas da urologia, dermatologia, medicina estética e cardiologia.

Ondas de choque: Focais vs “ondas de choque” radiais/ondas de pressão?

Dependendo do tipo de equipamento utilizado, pode ser gerada uma onda de choque focal (do inglês Focused/Planar Shock Wave) ou radial (do inglês Radial Shock Wave). Estes tipo de onda diferem entre si, não só em termos da forma como são geradas e das propriedades físicas, como também, em termos de magnitude e profundidade de penetração. Do ponto de vista físico, não está correta a designação “ondas de choque” radiais pois tratam-se de ondas de pressão. Apenas são chamadas ondas de choque radiais devido ao facto de terem indicações e resultados muito similares no organismo. Inicialmente o termo onda de choque era associado apenas às ondas focais, mas atualmente, o uso do termo “onda de choque” é aceite pela comunidade medica e cientifica quando nos referimos quer as ondas focais quer às ondas radiais. As ondas de choque focais são formadas por um gerador do tipo piezoelétrico, eletro-hidraulico ou eletromagnético; têm uma energia cerca de 10 vezes maior e focalizam o seu campo de ação num único ponto. Devido às suas características têm uma ação mais profunda nos tecidos biológicos. Enquanto as ondas de choque radiais, são produzidas pelo efeito de colisão de um projétil, impulsionado por ar comprimido, contra uma superfície metálica, apresentam um campo de ação divergente e atingem pressões bastante menores atingindo tecidos mais superficiais.

A tabela e gráfico seguintes, resumem as principais diferenças entre os dois tipos de onda:

ONDA DE CHOQUE
PRESSAO 100-1000 bar
DURAÇÃO DE IMPULSO 02 micros
IMPACTO 100-200 mNs
GRADIENTE DE PRESSÃO 100-150 kPa/mm
CAMPO focal
PROFUNDIDADE DE PENETRAÇÃO Profunda até 200 mm
EFEITO células
ONDA DE PRESSÃO
PRESSAO 1-10 bar
DURAÇÃO DE IMPULSO 02-0,5 ms
IMPACTO 0,5-2 mNs
GRADIENTE DE PRESSÃO 0,1-0,5 kPa/mm
CAMPO divergente
PROFUNDIDADE DE PENETRAÇÃO Superficial 0-50 mm
EFEITO tecidos

Ondas de choque: mecanismo de ação?

As estruturas como ossos, tendões, cartilagem, musculo, endotélio e epitélio são sensíveis a estímulos mecânicos.
Mecanotransdução é o processo pelo qual as células traduzem o estimulo mecânico em sinais biológicos, permitindo a sua adaptação ao meio. As ondas de choque atuam através mecanotransdução, alterando a permeabilidade celular e induzindo um aumento da concentração de fatores de regeneração tecidular e fatores de regeneração vascular no local estimulado.

Como efeitos biológicos das ondas de choque evidencia-se a osteogénese, neovascularização e o efeito neuromodulador. Para além de estimular os osteoclastos e fibroblastos o tratamento com ondas de choque permite a reconstituição dos tecidos afetados, promovendo uma correta cicatrização de tendões e ligamentos; aumenta o fluxo de sangue na área lesada, controla o processo inflamatório e diminui a dor.

Vantagens da terapia por ondas de choque

A terapia por ondas de choque apresenta inúmeras vantagens. Primeiramente o facto de se tratar de um método não invasivo e que pode ser efetuado em ambulatório, substituindo muitas vezes a cirurgia e evitando cicatrizes, anestesia e as complicações a esta associadas. Há que referir, também, o facto de se tratar de um tratamento que não necessita de qualquer preparação para a sua realização pelo que, a primeira sessão, poderá ser efetuada imediatamente a seguir à consulta de avaliação. É um tratamento com muito poucas contraindicações e que quase não apresenta efeitos secundários nem risco de alergias. Por último é necessário focar na rapidez e eficácia do tratamento, quando comparado com os tratamentos convencionais.

Tal como já foi mencionado anteriormente, o tratamento por ondas de choque quase não apresenta contraindicações. No entanto, devem considerar-se alguns casos, nomeadamente: coagulopatias ou toma de anticoagulantes; gravidez; sepsis; presença de patologia cancerígena e epilepsia.

No que se refere à presença de efeitos colaterais após o tratamento, podemos falar em efeitos mínimos. Pode ocorrer um ligeiro desconforto local, traduzido por dor (tolerável pela maioria dos pacientes), mas que muitas vezes é causado pela própria patologia. Em alguns casos, o desconforto pode prolongar-se durante algumas horas após o tratamento. Raramente, pode surgir eritema e edema no local do tratamento, mas estes são frequentemente autoeliminados. Muito raramente, surgem ainda relatos de equimoses, hematoma ou quadros de síndrome vagal.

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