Um novo tratamento que combina ondas de choque com nanopartículas pode tratar com sucesso tumores que são difíceis de tratar com quimioterapia. Os resultados deste estudo pré-clínico, desenvolvido por investigadores da universidade de Turim, Itália, foram publicados no jornal da especialidade Endocrine-Related Cancer (a 10 de maio 2017) (http://erc.endocrinology-journals.org/content/24/6/275 ) e podem levar ao desenvolvimento de terapias mais eficazes para o tratamento de cancros no futuro. Foi a primeira vez que se testou esta terapia combinada em animais.

Combinação da Terapia com Ondas de Choque e Nanopartículas no tratamento do cancro.

As nanopartículas contêm os fármacos de quimioterapia que são diretamente entregues no local do tumor através da corrente sanguínea. Desta forma reduzem-se os efeitos secundários tóxicos e aumenta-se a eficácia dos tratamentos.

No entanto, em alguns cancros a administração de fármacos pode ser suspensa devido à interrupção do fluxo sanguíneo no tumor. No sentido de solucionar esta questão, uma equipa de investigadores, coordenados pela Drª Catalano da Universidade de Turin, criaram um tratamento que combina ondas de choque (ESW) com “nanobolhas” (NBs, do inglês nanobubbles).

A focalização das ESW numa determinada área permite uma melhor absorção dos medicamentos transportados nas nanobolhas, pelas células cancerígenas. Assim, o efeito dos medicamentos anticancerígenos é concentrado no local do tumor.

Estudos realizado sobre o tratamento do Carcinoma Anaplásico da Tiroide (CAT) através das Ondas de Choque.

Para a realização deste estudo, testou-se o tratamento em ratinhos com carcinoma anaplásico da tiroide (CAT) – um tipo de cancro raro, muito agressivo e difícil de tratar. Este é um dos cancros mais letais com uma taxa de sobrevivência média, após diagnostico, de apenas 5 meses.

Atualmente ainda não existe um tratamento padrão para o CAT e o único medicamento de quimioterapia aprovado – a doxorrubucina – tem efeitos secundários graves, sendo benéfico em menos de 22% dos casos. O tratamento com nanoparticulas carregadas com doxorrubucina já tinha sido alvo de investigação para o tratamento de outros tipos de tumores, mas o fornecimento do medicamento era limitado.

Neste estudo mediu-se o volume do tumor uma vez por semana durante 21 dias. Comprovou-se uma redução significativa do seu volume quando se usaram as nanopartículas combinadas com ondas de choque comparativamente a outros tratamentos, nomeadamente o tratamento sem ondas de choque ou outros tratamentos padrão com doxorrubicina.

Resultados observados no estudo sobre a eficácia da combinação de Ondas de Choque com Nanopartículas no tratamento do cancro

Os resultados observados incluíram: redução do peso do tumor, alto teor de doxorrubicina ministrada no tumor e uma maior morte de células cancerígenas.

Os efeitos secundários mais referidos no tratamento com doxorrubicina  são os danos cardíacos, que foram significativamente menores nos animais tratados com nanoparticulas contendo doxorrubicina comparativamente ao tratamento padrão com doxorrubicina.

“Esta pode ser uma estratégia viável para o tratamento deste e de outros tumores sólidos agressivos nos quais a quimioterapia padrão permanece como única opção”, disse Maria Grazziela Catalano, líder da equipa de investigadores.

“Dados os resultados promissores deste estudo pré-clínico e a falta de uma terapia padrão para o CAT, o próximo passo será realizar ensaios clínicos com a esperança de melhorar o tratamento do cancro e a qualidade de vida dos pacientes”, acrescenta.

Este estudo vem comprovar a eficácia da Terapia por Ondas de Choque no tratamento de diversas patologias e o seu uso em diferentes situações clinicas.