A disfunção erétil (DE) afeta um em cada dez portugueses. Atualmente, o tratamento de primeira linha para a DE é a administração de medicação oral. No entanto, vários estudos têm vindo a comprovar que a terapia por ondas de choque, de baixa intensidade, pode ser uma alternativa ao tratamento tradicional.

De acordo com a Irish Heart Foundation, 18% dos homens entre os 50  e os 59 anos, 38% dos homens com idade entre 60 e 69 e 57% dos homens com mais de 70 anos sofrem deste problema. E, segundo um estudo realizado pelo New England Research Institutes, (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10444124), estima-se que em 2025 um total de 322 milhões de indivíduos irão padecer de disfunção erétil.

Para as disfunções sexuais masculinas, os tratamentos adequados podem ir desde a psicoterapia ao tratamento cirúrgico, podendo, por vezes, ser necessária a combinação de mais que um procedimento, dependendo do caso. Atualmente o tratamento de primeira linha para casos de DE é feito com recurso a inibidores das fosfodiesterases tipo 5 (IPDE-5), como Viagra, Cialis ou outros medicamentos relacionados. Embora a sua eficácia comprovada, estes medicamentos não são indicados para todos os homens que sofrem de DE. Daí se ter dado inicio a uma nova era de terapias não invasivas para esta patologia, surgindo o tratamento com ondas de choque de baixa intensidade como uma alternativa.

Em ensaios clínicos recentes, a terapia por ondas de choque (ESWT) tem provado a sua eficácia no tratamento de DE, mesmo em homens que não responderam bem a outros tratamentos. Um estudo realizado por um grupo de investigadores de Israel e publicado no final de 2011 no “Journal of Sexual Medicine” (http://www.nature.com/nrurol/journal/v8/n12/full/nrurol.2011.178.html), demostrou que todos os homens tratados com terapia por ondas de choque melhoram a sua função erétil. O estudo demonstrou, também, que homens que utilizavam Viagra ou outro tipo de medicação para a DE, deixaram de necessitar desta medicação após o tratamento com ondas de choque.

Um outro estudo similar, publicado no “Therapeutic Advances in Urology” em 2013 (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3607492/), conclui que o tratamento por ondas de choque de baixa intensidade (LI-ESWT, do inglês Low-intensity extracorporeal shock wave therapy) “é um tratamento revolucionário da DE, possuindo qualidades sem precedentes que podem reabilitar o tecido erétil. A melhoria clinica da função erétil subjetiva juntamente com a melhora significativa na hemodinâmica do pênis, após LI-ESWT confirmam que o LI-ESWT, tem propriedades únicas que podem criar um novo padrão de cuidados para homens com DE”. O estudo conclui, ainda, que a “LI-ESWT é bastante tolerável e não tem quaisquer efeitos adversos ou indesejados”. O estudo refere que “a sua principal vantagem é a capacidade de melhorar e potencialmente restaurar a função erétil em homens com DE, sem farmacoterapia adicional”.   “Num futuro próximo, esperamos que a terapia por ondas de choque de baixa intensidade seja utilizada para o tratamento clínico a longo prazo da DE, quer como alternativa quer como potenciador dos atuais tratamentos da DE”, concluem os autores do estudo.

Referindo, ainda, mais um estudo realizado em 2015 e publicado no “Scandinavian Journal of Urology” (http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.3109/21681805.2014.984326?journalCode=isju20& ), comprova-se, mais uma vez, a eficácia do tratamento por ondas de choque com baixa intensidade na DE.  Neste estudo estiveram envolvidos 112 homens com DE. Metade recebeu cinco tratamentos semanais com ondas de choque de baixa intensidade, em seis zonas distintas do pénis e a outra metade, recebeu um medicamento placebo. No início do estudo nenhum dos homens conseguia a penetração sexual sem recurso a medicação. No final, 57% dos homens tratados com ondas de choque confirmaram manter relações sexuais, comparando com apenas 9% dos homens que receberam placebo.  Segundo ”, diz Ilan Gruenwald, do “Rambam Medical Center” em Haifa, Israel os resultados devem-se à melhoria da circulação sanguínea na zona peniana, promovendo o crescimento de novos vasos sanguíneos.